
"Oi"
Hoje deixei-me vencer pela nostalgia, pelo triunfo de tempos onde tudo era mais simples e onde era, de facto, feliz. Ano de 1993, de segunda a sexta depois das aulas enquanto todos os outros rapazes saiam a correr das salas de aulas para os campos de futebol, o meu destino era diferente, as salas de videojogos (ou arcadas). Impedido de entrar por não ter idade suficiente, ficava junto a porta a ver rapazes e raparigas gastarem o resto das suas mesadas nas minhas máquinas favoritas, sonhando com o dia em que poderia também jogar livremente e vencer todos os outros jogadores.
Nos dois anos seguintes chegava a confirmação de que não estava sozinho no meu gosto pelas arcadas, um novo amigo de turma parecia partilhar do meu gosto pelos videojogos, pelos beat 'em ups para vos ser especifico. Rapidamente este novo colega deixou de ser apenas alguém que me acompanhava no meu percurso habitual da escola para casa, para passar a ser um amigo com quem partilhava o meu gosto pelas salas de videojogos e pelas artes marciais, um rival com quem competia não só nos jogos mas também nas aulas e até com as raparigas, e um irmão, o irmão mais velho que sempre quis ter.
À medida que íamos crescendo passou a ser mais fácil entrar nas salas de jogos. Passamos a ter acesso aos jogos que víamos de longe, ficamos a conhecer as histórias dos jogos e a motivação por detrás dos personagens. Sempre que nos era possível lá tentávamos vencer o imortal M.Bison, derrotar o terrível Amakusa, terminar o reino de Shao Khan ou mesmo vencer o rei do punho de aço Heihachi Mishima. Os nossos esforços falhavam gloriosamente e os rapazes e raparigas mais velhos faziam troça dos nossos esforços falhados.
A nosso hobby ia ganhando cada vez mais espaço na nossa vida, reforçando a determinação e o espírito lutador com que enfrentavamos os desafios do nosso dia-a-dia, afectando as aulas pois cada um de nós queria superar o outro nas classificações, mas também contra os outros rapazes, em especial contra os bullys da nossa geração que sentiam na pele a nossa tentativa de fazer passar para a realidade os movimentos mais realistas dos jogos e das artes marciais que nos influenciavam.
Com a crescente onda de investimento nos shoppings da minha cidade, surgiram mais tarde vários espaços destinados aos jogos de vídeo. Assim foi com natural rapidez que evoluímos e passamos a estar em pé de igualdade com os jogadores mais veteranos, embora a vitória sobre estes nunca fosse o nosso objectivo final. A nossa motivação sempre fora a disputa, o confronto saudável entre rivais, o conhecer o meu oponente não só dentro do jogo mas também fora dele, o percorrer do caminho rumo à vitória como um destino para a melhoria pessoal.
Actualmente é com grande pesar que assisto ao fim das arcadas e de tudo que estes para mim representam, a minha infância. Estes resistem apenas na grande cidade, no horizonte, longe demais para fazer parte das minhas obrigações do dia-a-dia, deixando em mim a questão sobre se deverei conceder a este sentimento antigo uma morte digna, ou renovar-lhe a sua motivação.
A todos os que partilham desta nostalgia deixo aqui a ligação para uma página dedicada apenas aos hobbys do género.
www.fightersgeneration.com
A todos um forte abraço!
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